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A genealogia de Jesus Cristo
1
Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
2 A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó nasceram Judá e seus irmãos;
3 a Judá nasceram, de Tamar, Perez e Zera; a Perez nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão;
4 a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom;
5 a Salmom nasceu, de Raabe, Boaz; a Boaz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé;
6 e a Jessé nasceu o rei Davi. A Davi nasceu Salomão, da que fora mulher de Urias;
7 a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asa;
8 a Asa nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão, Ozias;
9 a Ozias nasceu Jotão; a Jotão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias;
10 a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amom; a Amom nasceu Josias;
11 a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia.
12 Depois da deportação para Babilônia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel;
13 a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor;
14 a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde;
15 a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó;
16 e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo.
17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão
até Davi, são catorze gerações; e desde
Davi até a deportação para Babilônia,
catorze gerações; e desde a deportação para
Babilônia até o Cristo, catorze gerações.
O nascimento de Jesus Cristo
18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim:
Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se
ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo.
19 E como José, seu esposo, era justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
20 E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do
Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a
Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito
Santo;
21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.
22 Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta:
23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um
filho, o qual será chamado Emanuel, que traduzido é: Deus
conosco.
24 E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua mulher;
25 e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de Jesus.
A visita dos magos
2 Tendo, pois, nascido Jesus em
Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do
oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam:
2 Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.
3 O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e, com ele, toda a Jerusalém;
4 e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo.
5 Responderam-lhe eles: Em Belém da Judeia; pois assim está escrito pelo profeta:
6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a
menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti
sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel.
7 Então, Herodes chamou secretamente os magos e deles inquiriu
com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera;
8 e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide e perguntai
diligentemente pelo menino; e, quando o achardes, participai-mo, para
que também eu vá e o adore.
9 Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que
tinham visto quando no oriente ia adiante deles, até que,
chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.
10 Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.
11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e,
prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe
dádivas: ouro, incenso e mirra.
12 Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos
para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por
outro caminho.
A fuga para o Egito
13 E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do
Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o
menino e sua mãe, foge para o Egito e ali fica até que eu
te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.
14 Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito.
15 E lá ficou até a morte de Herodes, para que se
cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito
chamei o meu Filho.
A matança dos inocentes
16 Então Herodes, vendo que fora iludido pelos
magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos
para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores,
segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos.
17 Cumpriu-se, então, o que fora dito pelo profeta Jeremias:
18 Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande
pranto: Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser
consolada, porque eles já não existem.
A volta do Egito
19 Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito,
20 dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a
terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do
menino.
21 Então, ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.
22 Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judeia em lugar de
seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por
divina revelação, retirou-se para as regiões da
Galileia,
23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se
cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado
nazareno.
A pregação de João, o Batista
3
Naqueles dias, apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judeia,
2 dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
3 Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que diz:
Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai
as suas veredas.
4 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo e um cinto
de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel
silvestre.
5 Então, iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão,
6 e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.
7 Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu
batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a
fugir da ira vindoura?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento,
9 e não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por
pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus
pode suscitar filhos a Abraão.
10 E já está posto o machado à raiz das
árvores; toda árvore, pois, que não produz bom
fruto, é cortada e lançada no fogo.
João dá testemunho de Cristo
11 Eu, na verdade, vos batizo em água, na base
do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais
poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos
batizará com o Espírito Santo e com fogo.
12 A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua
eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a
palha em fogo inextinguível.
O batismo de Jesus
13 Então, veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.
14 Mas João o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?
15 Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos
convém cumprir toda a justiça. Então, ele
consentiu.
16 Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe
abriram os céus e viu o Espírito Santo de Deus descendo
como uma pomba e vindo sobre ele;
17 e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
A tentação de Jesus
4
Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.
2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.
3 Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
4 Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de
pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca
de Deus.
5 Então, o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo,
6 e disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui
abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a
teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que
nunca tropeces em alguma pedra.
7 Replicou-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
8 Levou-o ainda Diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles;
9 e disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
10 Então, ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque
está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a
ele servirás.
11 Então, o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram.
Jesus volta para a Galileia
12 Ora, ouvindo Jesus que João fora entregue, retirou-se para a Galileia;
13 e, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zabulom e Naftali;
14 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:
15 A terra de Zabulom e a terra de Naftali, o caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios,
16 o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que
estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz
raiou.
17 Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
A vocação dos discípulos
18 E Jesus, andando ao longo do mar da Galileia, viu
dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e seu irmão
André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram
pescadores.
19 Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20 Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram.
21 E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos, Tiago,
filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai
Zebedeu, consertando as redes; e os chamou.
22 Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.
Jesus prega por toda a Galileia e cura muitos enfermos
23 E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas
sinagogas, pregando o evangelho do reino, curando todas as
doenças e enfermidades entre o povo.
24 Assim, a sua fama correu por toda a Síria; e trouxeram-lhe
todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e
tormentos, os endemoninhados, os lunáticos e os
paralíticos; e ele os curou.
25 De sorte que o seguiam grandes multidões da Galileia, de
Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e dalém do
Jordão.
O sermão do monte
As bem-aventuranças
5
Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,
2 e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:
3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.
6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.
7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
9 Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.
10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
11 Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguiram,
e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.
12 Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso
galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas
que foram antes de vós.
Os discípulos, o sal da terra
13 Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor?
Para nada mais presta, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.
Os discípulos, a luz do mundo
14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
15 nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no
velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.
16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está
nos céus.
Jesus não veio para revogar a Lei, mas cumprir
17 Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.
18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a
terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um
só til, até que tudo seja cumprido.
19 Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que
seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino
dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar
será chamado grande no reino dos céus.
20 Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a
dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos
céus.
Jesus completa o que foi dito aos antigos
Do homicídio
21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar será réu de juízo.
22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se
encolerizar contra seu irmão, será réu de
juízo; e quem proferir um insulto a seu irmão,
será réu diante do tribunal; e quem lhe disser: Tolo,
será réu do fogo do inferno.
23 Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e
aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra
ti,
24 deixa ali diante do altar a tua oferta, vai conciliar-te primeiro com teu irmão e depois vem apresentar a tua oferta.
25 Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto
estás no caminho com ele; para que não aconteça
que o adversário te entregue ao guarda e sejas lançado na
prisão.
26 Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo.
Do adultério
27 Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
28 Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher
para a cobiçar, já em seu coração cometeu
adultério com ela.
29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e
lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus
membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e
lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus
membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.
31 Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32 Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a
não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem
casar com a repudiada, comete adultério.
Dos juramentos
33 Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos:
Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor
os teus juramentos.
34 Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35 nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem
por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
36 nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.
37 Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.
Da vingança
38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau;
mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também
a outra;
40 e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
41 e se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.
42 Dá a quem te pedir e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.
Do amor ao próximo
43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo e odiarás ao teu inimigo.
44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;
45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos
céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz
chover sobre justos e injustos.
46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo?
48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
A prática da justiça
6 Guardai-vos de fazer as vossas boas
obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte
não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos
céus.
Como se deve das esmolas
2 Quando, pois, deres esmola, não faças
tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas
sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade
vos digo que já receberam a sua recompensa.
3 Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;
4 para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
Como se deve orar
5 E, quando orardes, não sejais como os
hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas e
às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade
vos digo que já receberam a sua recompensa.
6 Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a
teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto,
te recompensará.
7 E, orando, não useis de vãs repetições,
como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão
ouvidos.
8 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que
vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.
A oração dominical
9 Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
10 venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
11 o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores;
13 e não nos deixes entrar em tentação; mas
livra-nos do mal. [Porque teu é o reino, o poder e a
glória para sempre, Amém.]
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
15 se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
Como jejuar
16 Quando jejuardes, não vos mostreis
contristrados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus
rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade
vos digo que já receberam a sua recompensa.
17 Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto,
18 para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a
teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em
secreto, te recompensará.
Os tesouros no céu
19 Não ajunteis para vós tesouros na
terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os
ladrões minam e roubam;
20 mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a
traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões
não minam nem roubam.
21 Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
A luz e as trevas
22 A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;
23 se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será
tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas,
quão grandes são tais trevas!
Os dois senhores
24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque
ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a
um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às
riquezas.
A ansiosa solicitude pela vida
25 Por isso vos digo: Não estejais ansiosos
quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que
haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do
que o vestuário?
26 Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem
ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta.
Não valeis vós muito mais do que elas?
27 Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
28 E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os
lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;
29 contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.
30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e
amanhã é lançada no forno, quanto mais a
vós, homens de pouca fé?
31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? Ou: Que havemos de beber?
Ou: Com que nos havemos de vestir?
32 (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.
33 Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o
dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu
mal.
O juízo temerário é proibido
7
Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis, vos medirão a vós.
3 E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho; e então
verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.
Não deis o que é santo aos cães
6 Não deis aos cães o que é
santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não
acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.
Jesus incita a orar
7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
8 Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.
9 Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
10 Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?
11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a
vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus,
dará boas coisas aos que lhas pedirem?
12 Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos
façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta
é a lei e os profetas.
As duas estradas
13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a
porta, e espaçoso o caminho que conduz à
perdição, e muitos são os que entram por ela;
14 e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, poucos são os que a encontram.
Os falsos profetas
15 Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a
vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são
lobos devoradores.
16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.
18 Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.
19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.
20 Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos
céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está
nos céus.
22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?
E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres?
23 Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
Os dois fundamentos
24 Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e
as põe em prática, será comparado a um homem
prudente, que edificou a casa sobre a rocha.
25 E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e
bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu,
porque estava fundada sobre a rocha.
26 Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as
põe em prática será comparado a um homem
insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.
27 E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e
bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi
a sua queda.
O fim do sermão do monte
28 Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina;
29 porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.
A cura de um leproso
8
Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiam.
2 E eis que veio um leproso e o adorava, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.
3 Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero;
sê limpo. No mesmo instante ficou purificado da sua lepra.
4 Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não contes isto a
ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta
que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.
A cura do criado de um centurião
5 Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião que lhe rogava, dizendo:
6 Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico e horrivelmente atormentado.
7 Respondeu-lhe Jesus: Eu irei, e o curarei.
8 O centurião, porém, replicou-lhe: Senhor, não
sou digno de que entres debaixo do meu telhado; mas somente dize uma
palavra e o meu criado há de sarar.
9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho
soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a
outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz.
10 Jesus, ouvindo isso, admirou-se, e disse aos que o seguiam: Em
verdade vos digo que a ninguém encontrei em Israel com tamanha
fé.
11 Também vos digo que muitos virão do oriente e do
ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão,
Isaque e Jacó, no reino dos céus;
12 mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.
13 Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te, e te seja
feito assim como creste. E, naquela mesma hora, o seu criado sarou.
A cura da sogra de Pedro
14 Ora, tendo Jesus entrado na casa de Pedro, viu a sogra deste de cama; e com febre.
15 E tocou-lhe a mão, e a febre a deixou; então, ela se levantou e o servia.
Muitas outras curas
16 Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos
endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsou os espíritos e
curou todos os enfermos;
17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:
Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas
doenças.
Jesus põe à prova os que querem segui-lo
18 Vendo Jesus uma multidão ao redor de si, deu ordem de partir para o outro lado do mar.
19 E, aproximando-se um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
20 Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o
Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
21 E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.
22 Jesus, porém, respondeu-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos.
Jesus acalma uma tempestade
23 E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.
24 E eis que se levantou no mar tão grande tempestade que o
barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.
25 Os discípulos, pois, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Salva-nos, Senhor, que estamos perecendo.
26 Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé?
Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se
grande bonança.
27 E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
A cura de dois endemoninhados gadarenos
28 Tendo ele chegado ao outro lado, à terra dos
gadarenos, saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos
dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar
por aquele caminho.
29 E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?
30 Ora, a alguma distância deles, andava pastando uma grande manada de porcos.
31 E os demônios rogavam-lhe, dizendo: Se nos expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos.
32 Disse-lhes Jesus: Ide. Então, saíram e entraram nos
porcos; e eis que toda a manada se precipitou pelo despenhadeiro no
mar, perecendo nas águas.
33 Os pastores fugiram e, chegando à cidade, divulgaram todas estas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados.
34 E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.
A cura de um paralítico em Cafarnaum
9
Entrando Jesus num barco, passou para o outro lado, e chegou à sua própria cidade.
2 E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito.
Jesus, pois, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Tem
ânimo, filho; perdoados são os teus pecados.
3 E alguns dos escribas disseram consigo: Este homem blasfema.
4 Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais o mal em vossos corações?
5 Pois qual é mais fácil? Dizer: Perdoados são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra
autoridade para perdoar pecados (disse, então, ao
paralítico): Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
7 E este, levantando-se, foi para sua casa.
8 E as multidões, vendo isso, temeram, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.
A vocação de Mateus
9 Partindo Jesus dali, viu sentado na coletoria um homem chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.
Jesus come com pecadores
10 Ora, estando ele à mesa em casa, eis que
chegaram muitos publicanos e pecadores, e se reclinaram à mesa
juntamente com Jesus e seus discípulos.
11 E os fariseus, vendo isso, perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores?
12 Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos.
13 Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e
não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos,
mas pecadores.
Do jejum
14 Então, vieram ter com ele os
discípulos de João, perguntando: Por que é que
nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos
não jejuam?
15 Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, ficar tristes os convidados
às núpcias, enquanto o noivo está com eles? Dias
virão, porém, em que lhes será tirado o noivo, e
então hão de jejuar.
16 Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho;
porque semelhante remendo tira parte do vestido, e faz-se maior a
rotura.
17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se
rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho
novo em odres novos, e assim ambos se conservam.
O pedido de um chefe
18 Enquanto ainda lhes dizia essas coisas, eis que
chegou um chefe da sinagoga e o adorou, dizendo: Minha filha acaba de
falecer; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ela
viverá.
A cura de uma mulher enferma
19 Levantou-se, pois, Jesus, e o foi seguindo, ele e os seus discípulos.
20 E eis que certa mulher, que havia doze anos padecia de uma
hemorragia, chegou por detrás dele e tocou-lhe a orla do manto;
21 porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar-lhe o manto, ficarei sã.
22 Mas Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a
tua fé te salvou. E desde aquela hora a mulher ficou sã.
A ressurreição da filha de Jairo
23 Quando Jesus chegou à casa daquele chefe e viu os tocadores de flauta e a multidão em alvoroço,
24 disse: Retirai-vos; porque a menina não está morta, mas dorme. E riam-se dele.
25 Tendo-se feito sair o povo, entrou Jesus, tomou a menina pela mão, e ela se levantou.
26 E espalhou-se a notícia disso por toda aquela terra.
A cura de dois cegos
27 Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, que clamavam, dizendo: Tem compaixão de nós, Filho de Davi.
28 E, tendo ele entrado em casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus
perguntou-lhes: Credes que eu posso fazer isto? Responderam-lhe eles:
Sim, Senhor.
29 Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.
30 E os olhos se lhes abriram. Jesus ordenou-lhes terminantemente, dizendo: Vede que ninguém o saiba.
31 Eles, porém, saíram, e divulgaram a sua fama por toda aquela terra.
A cura de um mudo endemoninhado.
A blasfêmia dos fariseus
32 Enquanto esses se retiravam, eis que lhe trouxeram um homem mudo e endemoninhado.
33 E, expulso o demônio, falou o mudo e as multidões se admiraram, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.
34 Os fariseus, porém, diziam: É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios.
Jesus ia por toda parte fazendo o bem.
A seara e os trabalhadores
35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias,
ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda
sorte de doenças e enfermidades.
36 Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam
desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor.
37 Então, disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
A escolha dos doze apóstolos.
Os seus nomes
10 E, chamando a si os seus doze
discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos
imundos, para expulsarem e para curarem toda sorte de doenças e
enfermidades.
2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro,
Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago,
filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
3 Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
4 Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.
As instruções para os doze
5 A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;
7 e indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.
8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos,
expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça
dai.
9 Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre em vossos cintos;
10 nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de
alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do
seu alimento.
11 Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem
nela é digno, e hospedai-vos aí até que vos
retireis.
12 E, ao entrardes na casa, saudai-a;
13 se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguém vos receber, nem ouvir as vossas palavras,
saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos
pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos
rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.
As admoestações
16 Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.
17 Acautelai-vos dos homens; porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas;
18 e por minha causa sereis levados à presença dos
governadores e dos reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos
gentios.
19 Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como ou o que
haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis
de dizer.
20 Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.
21 Um irmão entregará à morte a seu irmão,
e um pai a seu filho; e filhos se levantarão contra os pais e os
matarão.
22 E sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.
23 Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra;
porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as
cidades de Israel antes que venha o Filho do Homem.
Os estímulos
24 Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.
25 Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu
senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus
domésticos?
26 Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que
não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de
ser conhecido.
27 O que vos digo às escuras, dizei-o às claras; e o que escutais ao ouvido, dos eirados pregai-o.
28 E não temais os que matam o corpo e não podem matar a
alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma
como o corpo.
29 Não se vendem dois passarinhos por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai.
30 E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.
31 Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.
32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens,
também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos
céus.
33 Mas qualquer que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.
As dificuldades
34 Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.
35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
36 e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.
37 Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é
digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim
não é digno de mim.
38 E quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim.
39 Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.
As recompensas
40 Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.
41 Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a
recompensa de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo,
receberá a recompensa de justo.
42 E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um
destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos
digo que de modo algum perderá a sua recompensa.
Jesus prega nas cidades
11 Tendo acabado Jesus de dar
instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a
ensinar e a pregar nas cidades da região.
João envia mensageiros a Jesus
2 Ora, quando João no cárcere ouviu falar das obras do Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe:
3 És tu aquele que havia de vir ou havemos de esperar outro?
4 Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes:
5 os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos são
purificados e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados e aos
pobres é anunciado o evangelho.
6 E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.
Jesus dá testemunho de João
7 Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João:
Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
8 Mas que saístes a ver? Um homem trajado de vestes luxuosas?
Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos
reis.
9 Mas por que saístes? Para ver um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta.
10 Este é aquele de quem está escrito: Eis aí
envio eu ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar
adiante de ti o teu caminho.
11 Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não
surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que
é o menor no reino dos céus é maior do que ele.
12 E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino
dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam
de assalto.
13 Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João.
14 E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.
15 Quem tem ouvidos, ouça.
16 Mas, a quem compararei esta geração? É
semelhante aos meninos que, sentados nas praças, clamam aos seus
companheiros:
17 Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não pranteastes.
18 Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio.
19 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um
comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores.
Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras.
Ai das cidades impenitentes!
20 Então, começou ele a lançar em
rosto às cidades onde se operara a maior parte dos seus
milagres, o não se haverem arrependido, dizendo:
21 Ai de ti, Corazin! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em
Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se operaram,
há muito elas se teriam arrependido em cilício e em cinza.
22 Contudo, eu vos digo que para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no dia do juízo, do que para vós.
23 E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o
céu? Até o inferno descerás; porque, se em Sodoma
se tivessem operado os milagres que em ti se operaram, teria ela
permanecido até hoje.
24 Contudo, eu vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.
Jesus, o Salvador dos humildes
25 Naquele tempo, falou Jesus, dizendo: Graças
te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste
estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos
pequeninos.
26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.
27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém
conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém
conhece plenamente o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho
o quiser revelar.
Vinde a mim
28 Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e
humilde de coração; e achareis descanso para as vossas
almas.
30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.
Jesus é senhor do sábado
12 Naquele tempo, passou Jesus pelas
searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo
fome, começaram a colher espigas e a comer.
2 Os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus
discípulos estão fazendo o que não é
lícito fazer no sábado.
3 Ele, porém, lhes disse: Acaso não lestes o que fez Davi, quando teve fome, ele e seus companheiros?
4 Como entrou na casa de Deus, e como eles comeram os pães da
proposição, que não lhe era lícito comer,
nem a seus companheiros, mas somente aos sacerdotes?
5 Ou não lestes na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?
6 Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo.
7 Mas, se vós soubésseis o que significa:
Misericórdia quero, e não sacrifícios, não
condenaríeis os inocentes.
8 Porque o Filho do Homem até do sábado é o Senhor.
O homem da mão ressequida
9 Partindo dali, entrou Jesus na sinagoga deles.
10 E eis que estava ali um homem que tinha uma das mãos
ressequida; e eles, para poderem acusar a Jesus, o interrogaram,
dizendo: É lícito curar nos sábados?
11 E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que,
tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova,
não há de lançar mão dela, e tirá-la?
12 Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.
13 Então, disse àquele homem: estende a tua mão. E
ele a estendeu, e lhe foi restituída sã como a outra.
14 Os fariseus, porém, saindo dali, tomaram conselho contra ele, para o matarem.
Jesus se retira
15 Jesus, percebendo isso, retirou-se dali. Acompanharam-no muitos; e ele curou a todos,
16 e advertiu-lhes que não o dessem a conhecer;
17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
18 Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado em quem a minha alma
se compraz; porei sobre ele o meu espírito, e ele
anunciará aos gentios o juízo.
19 Não contenderá, nem clamará, nem se ouvirá pelas ruas a sua voz.
20 Não esmagará a cana quebrada, e não
apagará o morrão que fumega, até que faça
triunfar o juízo;
21 e no seu nome os gentios esperarão.
A cura de um endemoninhado cego e mudo.
A blasfêmia dos fariseus.
Jesus
se defende
22 Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e ele o curou, de modo que o mudo falava e via.
23 E toda a multidão, maravilhada, dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?
24 Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: Este não expulsa os
demônios senão por Belzebu, príncipe dos
demônios.
25 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes:
Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade,
ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.
26 Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está
dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?
27 E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam
os vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos
juízes.
28 Mas, se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os
demônios, logo é chegado a vós o reino de Deus.
29 Ou, como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente?
E, então, lhe saquear a casa.
30 Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.
31 Portanto, vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará
aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não
será perdoada.
32 Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso
lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o
Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste
mundo, nem no vindouro.
Árvores e seus frutos
33 Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom; ou
fazei a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se
conhece a árvore.
34 Raça de víboras! Como podeis vós falar coisas
boas, sendo maus? Pois do que há em abundância no
coração, disso fala a boca.
35 O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.
36 Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo.
37 Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.
O sinal de Jonas
38 Então, alguns dos escribas e dos fariseus, tomando a palavra, disseram: Mestre, queremos ver da tua parte algum sinal.
39 Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e
adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará,
senão o do profeta Jonas;
40 pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o
Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.
41 Os ninivitas se levantarão no juízo com esta
geração e a condenarão; porque se arrependeram com
a pregação de Jonas. E eis aqui quem é maior do
que Jonas.
42 A rainha do sul se levantará no juízo com esta
geração e a condenará; porque veio dos confins da
terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui quem
é maior do que Salomão.
A estratégia de Satanás
43 Ora, havendo o espírito imundo saído
do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e
não o encontra.
44 Então, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, chegando, acha-a desocupada, varrida e adornada.
45 Então, vai e leva consigo outros sete espíritos piores
do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse
homem vem a ser pior do que o primeiro. Assim há de acontecer
também a esta geração perversa.
A família de Jesus
46 Enquanto ele ainda falava às
multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus
irmãos, procurando falar-lhe.
47 Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos e procuram falar contigo.
48 Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?
49 E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
50 Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos
céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.
A parábola do semeador
13
No mesmo dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se à beira do mar;
2 e reuniram-se a ele grandes multidões, de modo que entrou num
barco e se sentou; e todo o povo estava em pé na praia.
3 E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.
4 E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram.
5 E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita
terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda;
6 mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se.
7 E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram.
8 Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.
9 Quem tem ouvidos, ouça.
A explicação da parábola
10 E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?
11 Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os
mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes
é dado;
12 pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em
abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem
lhe será tirado.
13 Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem.
14 E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo,
ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de
maneira alguma percebereis.
15 Porque o coração deste povo se endureceu, e com os
ouvidos ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não
vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o
coração, nem se convertam e eu os cure.
16 Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17 Pois, em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver
o que vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o
ouviram.
18 Ouvi, pois, vós a parábola do semeador.
19 A todo o que ouve a palavra do reino e não a entende, vem o
Maligno e arrebata o que lhe foi semeado no coração; este
é o que foi semeado à beira do caminho.
20 E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria;
21 mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca
duração; e sobrevindo a angústia e a
perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
22 E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a
palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das
riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.
23 Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve a
palavra, e a entende; e dá fruto, e um produz cem, outro
sessenta, e outro trinta.
A parábola do joio
24 Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O
reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa
semente no seu campo;
25 mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo e retirou-se.
26 Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio.
27 Chegaram, pois, os servos do proprietário, e disseram-lhe:
Senhor, não semeaste no teu campo boa semente? Donde, pois, vem
o joio?
28 Respondeu-lhes: Algum inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo?
29 Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo.
30 Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por
ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio e
atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no
meu celeiro.
A parábola do grão de mostarda
31 Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O
reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda,
que um homem tomou e semeou no seu campo;
32 o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, depois
de ter crescido, é a maior das hortaliças, e faz-se
árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se
aninham nos seus ramos.
A parábola do fermento
33 Outra parábola lhes disse: O reino dos
céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e
misturou com três medidas de farinha, até ficar tudo
levedado.
Porque Jesus falou por parábolas
34 Todas estas coisas falou Jesus às multidões por parábolas, e sem parábolas nada lhes falava;
35 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei em
parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a
fundação do mundo.
A explicação da parábola do joio
36 Então, Jesus, deixando as multidões,
entrou em casa. E chegaram-se a ele os seus discípulos, dizendo:
Explica-nos a parábola do joio do campo.
37 E ele, respondendo, disse: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;
39 o inimigo que o semeou é o Diabo; a ceifa é o fim do mundo, e os ceifeiros são os anjos.
40 Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo.
41 Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles
ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço e
os que praticam a iniquidade,
42 e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
43 Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.
A parábola do tesouro escondido
44 O reino dos céus é semelhante a um
tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobrí-lo,
esconde; então, movido de gozo, vai, vende tudo quanto tem e
compra aquele campo.
A parábola da pérola
45 Outrossim, o reino dos céus é semelhante a um negociante que buscava boas pérolas;
46 e encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e a comprou.
A parábola da rede
47 Igualmente, o reino dos céus é
semelhante a uma rede lançada ao mar que apanhou toda
espécie de peixes.
48 E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os
bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora.
49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, separarão os maus dentre os
justos
50 e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
Coisas novas e velhas
51 Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos.
52 E disse-lhes: Por isso, todo escriba que se fez discípulo do
reino dos céus é semelhante a um homem,
proprietário, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.
Jesus prega em Nazaré.
É rejeitado pelos seus
53 E Jesus, tendo concluído estas parábolas, se retirou dali.
54 E, chegando à sua terra, ensinava o povo na sinagoga, de modo
que este se maravilhava e dizia: Donde lhe vem esta sabedoria e estes
poderes milagrosos?
55 Não é este o filho do carpinteiro? E não se
chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José,
Simão, e Judas?
56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?
57 E escandalizavam-se dele. Jesus, porém, lhes disse: Um
profeta não fica sem honra, senão na sua terra e na sua
própria casa.
58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.
A morte de João, o Batista
14
Naquele tempo, Herodes, o tetrarca, ouviu a fama de Jesus,
2 e disse aos seus cortesãos: Este é João, o
Batista; ele ressuscitou dentre os mortos, e, por isso, estes poderes
milagrosos operam nele.
3 Pois Herodes havia prendido a João, e, atando-o, o guardara no
cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão
Felipe;
4 porque João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la.
5 E queria matá-lo, mas temia o povo; porque o tinham como profeta.
6 Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, a
filha de Herodias dançou no meio dos convivas, e agradou a
Herodes,
7 pelo que este prometeu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse.
8 E instigada por sua mãe, disse ela: Dá-me aqui num prato a cabeça de João, o Batista.
9 Entristeceu-se, então, o rei; mas, por causa do juramento, e
dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse,
10 e mandou degolar a João no cárcere;
11 e a cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou para a sua mãe.
12 Então, vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus.
A primeira multiplicação dos pães e peixes
13 Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco,
para um lugar deserto, à parte; e quando as multidões o
souberam, seguiram-no a pé desde as cidades.
14 E ele, ao desembarcar, viu uma grande multidão; e, compadecendo-se dela, curou os seus enfermos.
15 Chegada a tarde, aproximaram-se dele os discípulos, dizendo:
O lugar é deserto, e a hora é já passada; despede
as multidões, para que vão às aldeias e comprem o
que comer.
16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam ir embora; dai-lhes vós de comer.
17 Então, eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18 E ele disse: trazei-mos aqui.
19 Tendo mandado às multidões que se reclinassem sobre a
relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos
ao céu, os abençoou; e partindo os pães, deu-os
aos discípulos, e os discípulos às
multidões.
20 Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram levantaram doze cestos cheios.
21 Ora, os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.
Jesus anda por sobre o mar
22 Logo em seguida, obrigou os seus discípulos
a entrar no barco, e passar adiante dele para o outro lado, enquanto
ele despedia as multidões.
23 Tendo-as despedido, subiu ao monte para orar à parte. Ao anoitecer, estava ali sozinho.
24 Entrementes, o barco já estava a muitos estádios da
terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.
25 À quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar.
26 Os discípulos, porém, ao vê-lo andando sobre o
mar, assustaram-se e disseram: É um fantasma. E gritaram de medo.
27 Jesus, porém, imediatamente lhes falou, dizendo: Tende ânimo; sou eu; não temais.
28 Respondeu-lhe Pedro: Senhor! Se és tu, manda-me ir ter contigo sobre as águas.
29 Disse-lhe ele: Vem. Pedro, descendo do barco, e andando sobre as águas, foi ao encontro de Jesus.
30 Mas, sentindo o vento, teve medo; e, começando a submergir, clamou: Senhor, salva-me.
31 Imediatamente estendeu Jesus a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?
32 E logo que subiram para o barco, o vento cessou.
33 Então, os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus.
Jesus em Genesaré
34 Ora, terminada a travessia, chegaram à terra em Genezaré.
35 Quando os homens daquele lugar o reconheceram, mandaram por toda
aquela circunvizinhança, e trouxeram-lhe todos os enfermos;
36 e rogaram-lhe que apenas os deixasse tocar a orla do seu manto; e todos os que a tocaram ficaram curados.
Jesus e a tradição dos anciãos.
O que contamina
o homem
15
Então, chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém e lhe perguntaram:
2 Por que transgridem os teus discípulos a
tradição dos anciãos? Pois não lavam as
mãos, quando comem.
3 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que
transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa
tradição?
4 Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem
maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá.
5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua
mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor;
esse de modo algum terá de honrar a seu pai.
6 E, assim, por causa da vossa tradição, invalidastes a palavra de Deus.
7 Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:
8 Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim.
9 Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem.
10 E, clamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi e entendei:
11 Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina.
12 Então, os discípulos, aproximando-se dele,
perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se
escandalizaram?
13 Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.
14 Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco.
15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola.
16 Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender?
17 Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora?
18 Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem.
19 Porque do coração procedem os maus pensamentos,
homicídios, adultérios, prostituição,
furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
20 São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina.
A mulher cananeia
21 Ora, partindo Jesus dali, retirou-se para as regiões de Tiro e Sidom.
22 E eis que uma mulher cananeia, provinda daquelas cercanias, clamava,
dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim, que minha
filha está horrivelmente endemoninhada.
23 Contudo, ele não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a
ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: Despede-a, porque
vem clamando atrás de nós.
24 Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
25 Então, veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me.
26 Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o
pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
27 Ao que ela disse: Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.
28 Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande
é a tua fé! Seja-te feito como queres. E desde aquela
hora sua filha ficou sã.
Jesus volta para o mar da Galileia e cura muitos enfermos
29 Partindo Jesus dali, chegou ao pé do mar da Galileia; e, subindo ao monte, sentou-se ali.
30 E vieram a ele grandes multidões, trazendo consigo coxos,
aleijados, cegos, mudos, e outros muitos, e lhos puseram aos
pés; e ele os curou;
31 de modo que a multidão se admirou, vendo mudos a falar,
aleijados a ficar sãos, coxos a andar, cegos a ver; e
glorificaram ao Deus de Israel.
A segunda multiplicação de pães e peixes
32 Jesus chamou os seus discípulos, e disse:
Tenho compaixão da multidão, porque já faz
três dias que eles estão comigo, e não têm o
que comer; e não quero despedi-los em jejum, para que não
desfaleçam no caminho.
33 Disseram-lhe os discípulos: Donde nos viriam num deserto tantos pães para fartar tamanha multidão?
34 Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? E responderam: Sete e alguns peixinhos.
35 E tendo ele ordenado ao povo que se sentasse no chão,
36 tomou os sete pães e os peixes, e havendo dado graças,
partiu-os, e os entregava aos discípulos, e os discípulos
à multidão.
37 Assim, todos comeram e se fartaram; e do que sobejou dos pedaços levantaram sete alcofas cheias.
38 Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens além de mulheres e crianças.
39 E havendo Jesus despedido a multidão, entrou no barco e foi para os confins de Magadã.
Os fariseus e os saduceus pedem um sinal do céu
16 Então, chegaram a ele os
fariseus e os saduceus e, para o experimentarem, pediram-lhe que lhes
mostrasse algum sinal do céu.
2 Mas ele respondeu, e disse-lhes: Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro.
3 E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o
céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o
aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos
tempos?
4 Uma geração má e adúltera pede um sinal,
e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E,
deixando-os, retirou-se.
O fermento dos fariseus e dos saduceus
5 Quando os discípulos passaram para o outro lado, esqueceram-se de levar pão.
6 E Jesus lhes disse: Olhai e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
7 Pelo que eles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão.
8 E Jesus, percebendo isso, disse: Por que arrazoais entre vós
por não terdes pão, homens de pouca fé?
9 Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para os cinco mil, e de quantos cestos levantastes?
10 Nem dos sete pães para os quatro mil, e de quantas alcofas levantastes?
11 Como não compreendeis que não nos falei a respeito de
pães? Mas guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
12 Então, entenderam que não dissera que se guardassem do
fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.
A confissão de Pedro
13 Tendo Jesus chegado às regiões de
Cesareia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem
dizem os homens ser o Filho do Homem?
14 Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.
15 Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?
16 Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
17 Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas,
porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que
está nos céus.
18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta
pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela;
19 dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois,
na terra será ligado nos céus, e o que desligares na
terra será desligado nos céus.
20 Então, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo.
Jesus prediz sua morte e ressurreição
21 Desde então, começou Jesus Cristo a
mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele
fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos
anciãos, dos principais sacerdotes, e dos escribas, que fosse
morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse.
22 E Pedro, tomando-o à parte, começou a
repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor;
isso de modo nenhum te acontecerá.
23 Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de
mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque
não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas
sim nas que são dos homens.
O discípulo deve levar a sua cruz
24 Então, disse Jesus aos seus
discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se
a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me;
25 pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas
quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.
26 Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?
27 Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu
Pai, com os seus anjos; e, então, retribuirá a cada um
segundo as suas obras.
28 Em verdade vos digo, alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam vir o
Filho do Homem no seu reino.
A transfiguração
17 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a
Pedro, a Tiago e a João, irmão deste, e os conduziu,
à parte, a um alto monte;
2 e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.
4 Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é
estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti,
outra para Moisés e outra para Elias.
5 Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e
dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem
me comprazo; a ele ouvi.
6 Os discípulos, ouvindo isso, cairam com o rosto em terra e ficaram grandemente atemorizados.
7 Chegou-se, pois, Jesus e, tocando-os, disse: Levantai-vos e não temais.
8 E, erguendo eles os olhos, não viram a ninguém senão a Jesus somente.
A vinda de Elias
9 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: A ninguém conteis a visão, até que o
Filho do Homem seja levantado dentre os mortos.
10 Perguntaram-lhe os discípulos: Por que dizem, então,
os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?
11 Respondeu ele: Na verdade, Elias havia de vir e restaurar todas as coisas;
12 digo-vos, porém, que Elias já veio e não o
reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também
o Filho do Homem há de padecer às mãos deles.
13 Então, entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista.
A cura de um jovem possesso
14 Quando chegaram à multidão, aproximou-se de Jesus um homem que, ajoelhando-se diante dele, disse:
15 Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é
epiléptico e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e
muitas vezes na água.
16 Eu o trouxe aos teus discípulos, e não o puderam curar.
17 E Jesus, respondendo, disse: ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco?
Até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui.
18 Então, Jesus repreendeu ao demônio, o qual saiu do menino, que desde aquela hora ficou curado.
19 Depois os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular,
perguntaram-lhe: Por que não pudemos nós
expulsá-lo?
20 Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade
vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda
direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de
passar; e nada vos será impossível.
21 [mas esta casta de demônios não se expulsa senão
à força de oração e de jejum.]
De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição
22 Ora, achando-se eles na Galileia, disse-lhes Jesus: O Filho do
Homem está para ser entregue nas mãos dos homens;
23 e matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressurgirá. E eles se entristeceram grandemente.
Jesus paga imposto
24 Tendo eles chegado a Cafarnaum, aproximaram-se de
Pedro os que cobravam as didracmas, e lhe perguntaram: O vosso mestre
não paga as didracmas?
25 Disse ele: Sim. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou,
perguntando: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da
terra imposto ou tributo? Dos seus filhos ou dos alheios?
26 Quando ele respondeu: Dos alheios, disse-lhe Jesus: Logo, são isentos os filhos.
27 Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança
o anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca,
encontrarás um estáter; toma-o e dá-lho por mim e
por ti.
O maior no reino dos céus
18
Naquela hora, chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?
2 Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
3 e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e
não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis
no reino dos céus.
4 Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
5 E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe.
Os tropeços
6 Mas qualquer que fizer tropeçar um destes
pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe
pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na
profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos tropeços! Pois é
inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço
vier!
8 Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer
tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é
entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou
dois pés, ser lançado no fogo eterno.
9 E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o, e lança-o
de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que
tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo.
A parábola da ovelha perdida
10 Vede, não desprezeis a nenhum destes
pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre
vêm a face de meu Pai, que está nos céus.
11 [Porque o Filho do Homem veio salvar o que se havia perdido.]
12 Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se
extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para
ir buscar a que se extraviou?
13 E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior prazer
tem por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.
14 Assim também não é da vontade de vosso Pai que
está nos céus, que venha a perecer um só destes
pequeninos.
Como se deve tratar a um irmão culpado
15 Ora, se teu irmão pecar, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão;
16 mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que
pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja
confirmada.
17 Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será
ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será
desligado no céu.
19 Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem
acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por
meu Pai, que está nos céus.
20 Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
Quantas vezes se deve perdoar a um irmão
21 Então, Pedro, aproximando-se dele, lhe
perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu
irmão contra mim e eu hei de perdoar? Até sete?
22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete.
A parábola do credor incompassivo
23 Por isso, o reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar contas a seus servos;
24 e, tendo começado a tomá-las, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
25 mas não tendo ele com que pagar, ordenou seu senhor que
fossem vendidos ele, sua mulher, seus filhos, e tudo o que tinha, e que
se pagasse a dívida.
26 Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei.
27 O senhor daquele servo, pois, movido de compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a dívida.
28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos,
que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo:
Paga o que me deves.
29 Então, o seu companheiro, caindo-lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei.
30 Ele, porém, não quis; antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.
31 Vendo, pois, os seus conservos o que acontecera, contristaram-se grandemente, e foram revelar tudo isso ao seu senhor.
32 Então, o seu senhor, chamando-o, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste;
33 não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti?
34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia.
35 Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes cada um a seu irmão.
Jesus atravessa o Jordão
19
Tendo Jesus concluído estas palavras, partiu da Galileia e foi para os confins da Judeia, além do Jordão;
2 e seguiram-no grandes multidões, e curou-os ali.
A questão do divórcio
3 Aproximaram-se dele alguns fariseus que o
experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua
mulher por qualquer motivo?
4 Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio, homem e mulher,
5 e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe e
unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só
carne?
6 Assim já não são mais dois, mas uma só
carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7 Responderam-lhe: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?
8 Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações
Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi
assim desde o princípio.
9 Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a
não ser por causa de infidelidade, e casar com outra, comete
adultério; [e o que casar com a repudiada também comete
adultério.]
10 Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a
condição do homem relativamente à mulher,
não convém casar.
11 Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado.
12 Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que
pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se
fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar
isso, aceite-o.
Jesus abençoa as crianças
13 Então, lhe trouxeram algumas crianças
para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os
discípulos os repreenderam.
14 Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não
as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos
céus.
15 E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.
O jovem rico
16 E eis que se aproximou dele um jovem e lhe disse: Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?
17 Respondeu-lhe ele: Por que me perguntas sobre o que é bom? Um
só é bom; mas se é que queres entrar na vida,
guarda os mandamentos.
18 Perguntou-lhe ele: Quais? Respondeu Jesus: Não
matarás; não adulterarás; não
furtarás; não dirás falso testemunho;
19 honra a teu pai e a tua mãe; e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
20 Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado; que me falta ainda?
21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens
e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e
vem, segue-me.
22 Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens.
O perigo das riquezas
23 Disse, então, Jesus aos seus
discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente
entrará no reino dos céus.
24 E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar
pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
25 Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente
maravilhados e perguntaram: Quem pode, então, ser salvo?
26 Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso
impossível, mas a Deus tudo é possível.
27 Então, Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que
nós deixamos tudo e te seguimos; que recompensa, pois, teremos
nós?
28 Ao que lhe disse Jesus: Em verdade vos digo a vós que me
seguistes, que na regeneração, quando o Filho do Homem se
assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também
vós sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
29 E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs,
ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome,
receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna.
30 Entretanto, muitos que são primeiros serão
últimos; e muitos que são últimos serão
primeiros.
A parábola dos trabalhadores na vinha
20 Porque o reino dos céus é
semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a
contratar trabalhadores para a sua vinha.
2 Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia e mandou-os para a sua vinha.
3 Cerca da hora terceira saiu e viu que estavam outros ociosos na praça,
4 e disse-lhes: Ide também vós para a vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
5 Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.
6 Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que
lá estavam e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia
todo?
7 Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele: Ide também vós para a vinha.
8 Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os
trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos
últimos até os primeiros.
9 Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.
10 Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber
mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.
11 E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:
12 Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a
nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te
faço injustiça; não ajustaste comigo um
denário?
14 Toma o que é teu e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.
15 Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros serão últimos.
Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição
17 Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e no caminho lhes disse:
18 Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem será
entregue aos principais sacerdotes e aos escribas, e eles o
condenarão à morte,
19 e o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e
o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia ressuscitará.
O pedido da mãe de Tiago e João
20 Aproximou-se dele, então, a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, ajoelhando-se e fazendo-lhe um pedido.
21 Perguntou-lhe Jesus: Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que
estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita e outro
à tua esquerda, no teu reino.
22 Jesus, porém, replicou: Não sabeis o que pedis; podeis
beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
23 Então, lhes disse: O meu cálice certamente haveis de
beber; mas o sentar-se à minha direita e à minha
esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é
para aqueles para quem está preparado por meu Pai.
24 E ouvindo isso os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.
25 Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os
governadores dos gentios os dominam e os seus grandes exercem
autoridades sobre eles.
26 Não será assim entre vós; antes, qualquer que
entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos
sirva;
27 e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;
28 assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.
A cura de dois cegos de Jericó
29 Saindo eles de Jericó, seguiu-o uma grande multidão;
30 e eis que dois cegos, sentados junto do caminho, ouvindo que Jesus
passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão
de nós.
31 E a multidão os repreendeu, para que se calassem; eles,
porém, clamaram ainda mais alto, dizendo: Senhor, Filho de Davi,
tem compaixão de nós.
32 E Jesus, parando, chamou-os e perguntou: Que quereis que vos faça?
33 Disseram-lhe eles: Senhor, que se nos abram os olhos.
34 E Jesus, movido de compaixão, tocou-lhes os olhos; e imediatamente recuperaram a vista e o seguiram.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
21 Quando se aproximaram de
Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras,
enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes:
2 Ide à aldeia que está defronte de vós e logo
encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a e
trazei-mos.
3 E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei: O Senhor precisa deles; e logo os enviará.
4 Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta:
5 Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu
Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de
carga.
6 Indo, pois, os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara,
7 trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram os seus mantos, e Jesus montou.
8 E a maior parte da multidão estendeu os seus mantos pelo
caminho; outros, cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo
caminho.
9 E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi!
Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!
10 Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade toda e perguntava: Quem é este?
11 E as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.
A purificação do templo
12 Então, Jesus entrou no templo, expulsou
todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas
e as cadeiras dos que vendiam pombas;
13 e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada
casa de oração; vós, porém, a fazeis covil
de salteadores.
Jesus efetua curas no templo
14 E chegaram-se a ele no templo cegos e coxos, e ele os curou.
15 Vendo, porém, os principais sacerdotes e os escribas as
maravilhas que ele fizera, e os meninos que clamavam no templo: Hosana
ao Filho de Davi, indignaram-se,
16 e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo?
Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e de
criancinhas de peito tiraste perfeito louvor?
17 E deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
A figueira sem fruto
18 Ora, de manhã, ao voltar à cidade, teve fome;
19 e, avistando uma figueira à beira do caminho, dela se
aproximou, e não achou nela senão folhas somente; e
disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou
imediatamente.
20 Quando os discípulos viram isso, perguntaram admirados: Como é que imediatamente secou a figueira?
21 Jesus, porém, respondeu-lhes: Em verdade vos digo que se
tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis
o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte
disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, isso será feito;
22 e tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis.
A autoridade de Jesus e o batismo de João
23 Tendo Jesus entrado no templo, e estando a ensinar,
aproximaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do
povo, e perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? E quem
te deu tal autoridade?
24 Respondeu-lhes Jesus: Eu também vos perguntarei uma coisa; se
ma disserdes, eu de igual modo vos direi com que autoridade faço
estas coisas.
25 O batismo de João, donde era? Do céu ou dos homens? Ao
que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele nos
dirá: Então, por que não o crestes?
26 Mas, se dissermos: Dos homens, tememos o povo; porque todos consideram João como profeta.
27 Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Disse-lhe ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.
A parábola dos dois filhos
28 Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na vinha.
29 Ele respondeu: Sim, senhor; mas não foi.
30 Chegando-se, então, ao segundo, falou-lhe de igual modo;
respondeu-lhe este: Não quero; mas depois, arrependendo-se, foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O segundo.
Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes
entram adiante de vós no reino de Deus.
32 Pois João veio a vós no caminho da justiça e
não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes
lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos
arrependestes para crerdes nele.
A parábola dos lavradores maus
33 Ouvi ainda outra parábola: Havia um homem,
proprietário, que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe,
cavou nela um lagar e edificou uma torre; depois, arrendou-a a uns
lavradores e ausentou-se do país.
34 E quando chegou o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.
35 E os lavradores, apoderando-se dos servos, espancaram um, mataram outro e a outro, apedrejaram.
36 Depois, enviou ainda outros servos, em maior número do que os primeiros; e fizeram-lhes o mesmo.
37 Por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: A meu filho terão respeito.
38 Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o
herdeiro; vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança.
39 E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram.
40 Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?
41 Responderam-lhe eles: Fará perecer miseravelmente a esses
maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo
lhe entreguem os frutos.
42 Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os
edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor
foi feito isso e é maravilhoso aos nossos olhos?
43 Portanto, eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus e será dado a um povo que dê os seus frutos.
44 E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó.
45 Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava.
46 E procuravam prendê-lo, mas temeram o povo, porquanto este o tinha por profeta.
A parábola das bodas
22
Então, Jesus tornou a falar-lhes por parábolas, dizendo:
2 O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.
3 Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.
4 Depois, enviou outros servos, ordenando: Dizei aos convidados: Eis
que tenho o meu jantar preparado; os meus bois e cevados já
estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas.
5 Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;
6 e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.
7 Mas o rei encolerizou-se; e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas e incendiou a sua cidade.
8 Então, disse aos seus servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.
9 Ide, pois, pelas encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, convidai-os para as bodas.
10 E saíram aqueles servos pelos caminhos, e ajuntaram todos
quantos encontraram, tanto maus como bons; e encheu-se de convivas a
sala nupcial.
11 Mas, quando o rei entrou para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial;
12 e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui, sem teres veste nupcial? Ele, porém, emudeceu.
13 Ordenou, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e
mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá
choro e ranger de dentes.
14 Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.
A questão do tributo
15 Então, os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra;
16 e enviaram-lhe os seus discípulos, juntamente com os
herodianos, a dizer: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que
ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, e de ninguém se te
dá, porque não olhas a aparência dos homens.
17 Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não?
18 Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?
19 Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário.
20 Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição?
21 Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a
César o que é de César, e a Deus o que é de
Deus.
22 Ao ouvirem isso, ficaram admirados; e, deixando-o, se retiraram.
Os saduceus e a ressurreição
23 No mesmo dia, vieram alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, dizendo:
24 Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não
tendo filhos, seu irmão casará com a mulher dele e
suscitará descendência a seu irmão.
25 Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo
casado, morreu: e, não tendo descendência, deixou sua
mulher a seu irmão;
26 da mesma sorte também o segundo, o terceiro, até o sétimo.
27 Depois de todos, morreu também a mulher.
28 Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa, pois todos a tiveram?
29 Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus;
30 pois na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos no céu.
31 E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus:
32 Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de
Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos.
33 E as multidões, ouvindo isso, se maravilhavam da sua doutrina.
O grande mandamento
34 Os fariseus, quando souberam, que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se todos;
35 e um deles, doutor da lei, para o experimentar, interrogou-o, dizendo:
36 Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o
teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento.
38 Este é o grande e primeiro mandamento.
39 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
40 Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
O Cristo, Filho de Davi
41 Ora, enquanto os fariseus estavam reunidos, interrogou-os Jesus, dizendo:
42 Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe: De Davi.
43 Replicou-lhes ele: Como é, então, que Davi, no Espírito, lhe chama Senhor, dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
até que eu ponha os teus inimigos de baixo dos teus pés?
45 Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?
46 E ninguém podia responder-lhe palavra; nem desde aquele dia jamais ousou alguém interrogá-lo.
Jesus censura os escribas e os fariseus
23
Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos, dizendo:
2 Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus.
3 Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas
não façais conforme as suas obras; porque dizem e
não praticam.
4 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os
põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo
querem movê-los.
5 Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens;
pois alargam os seus filactérios e aumentam as franjas dos seus
mantos;
6 gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas,
7 das saudações nas praças e de serem chamados pelos homens: Rabi.
8 Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi;
porque um só é o vosso Mestre e todos vós sois
irmãos.
9 E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um
só é o vosso Pai, aquele que está nos céus.
10 Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo.
11 Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo.
12 Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e
qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado.
Várias advertências de Jesus
13 Mas ai de vós, escribas e fariseus,
hipócritas! Porque fechais aos homens o reino dos céus;
pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.
14 [Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas
orações; por isso recebereis maior
condenação.]
15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de
o terdes feito, o tornais duas vezes mais filho do inferno do que
vós.
16 Ai de vós, guias cegos! Que dizeis: Quem jurar pelo ouro do santuário, esse fica obrigado ao que jurou.
17 Insensatos e cegos! Pois qual é o maior; o ouro ou o santuário que santifica o ouro?
18 E: Quem jurar pelo altar, isso nada é; mas quem jurar pela
oferta que está sobre o altar, esse fica obrigado ao que jurou.
19 Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
20 Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo quanto sobre ele está;
21 e quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita;
22 e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está assentado.
23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes
omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a
justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas,
porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.
24 Guias cegos! Que coais um mosquito e engulis um camelo.
25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão
cheios de rapina e de intemperança.
26 Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo, para que também o exterior se torne limpo.
27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem
formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda
imundícia.
28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos
homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,
30 e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais,
não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue
dos profetas.
31 Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas.
32 Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.
33 Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?
34 Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; e
a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de
cidade em cidade;
35 para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi
derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o
sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o
santuário e o altar.
36 Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração.
O lamento sobre Jerusalém
37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os
profetas, apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis
eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos
debaixo das asas, e não o quiseste!
38 Eis aí abandonada vos é a vossa casa.
39 Pois eu vos declaro que desde agora de modo nenhum me vereis,
até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.
O sermão profético
A destruição do templo
24 Ora, tendo Jesus saído do
templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus
discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo.
2 Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo
que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não
seja derribada.
O princípio das dores
3 E estando ele sentado no Monte das Oliveiras,
chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo:
Declara-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá
da tua vinda e do fim do mundo.
4 Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane.
5 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão.
6 E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai, não
vos perturbeis; porque forçoso é que assim
aconteça; mas ainda não é o fim.
7 Porquanto se levantará nação contra
nação, e reino contra reino; e haverá fomes e
terremotos em vários lugares.
8 Mas todas essas coisas são o princípio das dores.
9 Então, sereis entregues à tortura e vos matarão;
e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.
10 Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão.
11 Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas e enganarão a muitos;
12 e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
13 Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.
14 E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em
testemunho a todas as nações, e então virá
o fim.
A grande tribulação
15 Quando, pois, virdes estar no lugar santo a
abominação de desolação, predita pelo
profeta Daniel (quem lê, entenda),
16 então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes;
17 quem estiver no eirado, não desça para tirar as coisas de sua casa,
18 e quem estiver no campo, não volte atrás para apanhar a sua capa.
19 Mas ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
20 Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado;
21 porque haverá, então, uma tribulação
tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo
até agora, nem jamais haverá.
22 E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se
salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles
dias.
23 Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo aí! Não acrediteis;
24 porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e
farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se
possível fora, enganariam até os escolhidos.
25 Eis que de antemão vo-lo tenho dito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto;
não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa;
não acrediteis.
27 Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra
até o ocidente, assim será também a vinda do Filho
do Homem.
28 Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
A vinda do Filho do Homem
29 Logo depois da tribulação daqueles
dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua
luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos
céus serão abalados.
30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do
Homem, todas as tribos da terra se lamentarão e verão vir
o Filho do Homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande
glória.
31 E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta,
os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de
uma à outra extremidade dos céus.
A parábola da figueira.
Exortação à vigilância
32 Aprendei, pois, da figueira a sua parábola:
Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que
está próximo o verão.
33 Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas.
34 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram.
35 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão.
36 Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.
37 Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do
Homem.
38 Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam,
bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que
Noé entrou na arca,
39 e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e
os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do
Homem.
40 Então, estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro;
41 estando duas mulheres a trabalhar no moinho, será levada uma e deixada a outra.
42 Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor;
43 sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que
vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e
não deixaria minar a sua casa.
44 Por isso, ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não cuidais, virá o
Filho do Homem.
A parábola do bom servo e do mau
45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor confiou os seus serviçais, para a tempo dar-lhes o sustento?
46 Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo.
47 Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.
48 Mas se aquele outro, o mau servo, disser no seu coração: Meu senhor tarda em vir,
49 e começar a espancar os seus conservos, e a comer e beber com os ébrios,
50 virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe,
51 e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte
com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
A parábola das dez virgens
25 Então, o reino dos céus
será semelhante a dez virgens que, tomando as suas
lâmpadas, saíram ao encontro do noivo.
2 Cinco delas eram insensatas, e cinco, prudentes.
3 Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo.
4 As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas.
5 E tardando o noivo, cochilaram todas, e dormiram.
6 Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí-lhe ao encontro!
7 Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.
8 E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso
azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.
9 Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não
chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem,
e comprai-o para vós.
10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam
preparadas, entraram com ele para as bodas e fechou-se a porta.
11 Depois, vieram também as outras virgens e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta.
12 Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo, não vos conheço.
13 Vigiai pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.
A parábola dos talentos
14 Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou
os seus servos e lhes entregou os seus bens.
15 A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem.
16 O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles e ganhou outros cinco;
17 da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois;
18 mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Ora, depois de muito tempo, veio o senhor daqueles servos e fez contas com eles.
20 Então, chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe
outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos;
eis aqui outros cinco que ganhei.
21 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco
foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor,
entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei.
23 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco
foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te
conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não
semeaste e recolhes onde não joeiraste;
25 e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu.
26 Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso,
sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não
joeirei?
27 Devias, então, entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos.
29 Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em
abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem
ser-lhe-á tirado.
30 E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.
O grande julgamento
31 Quando, pois, vier o Filho do Homem na sua
glória, e todos os anjos com ele, então, se
assentará no trono da sua glória;
32 e diante dele serão reunidas todas as nações; e
ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos
cabritos;
33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda.
34 Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua
direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o
reino que vos está preparado desde a fundação do
mundo;
35 porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes;
36 estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão, e fostes ver-me.
37 Então, os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer?
Ou com sede, e te demos de beber?
38 Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? Ou nu, e te vestimos?
39 Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te?
40 E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que
o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a
mim o fizestes.
41 Então, dirá também aos que estiverem à
sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno,
preparado para o Diabo e seus anjos;
42 porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
43 era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não
me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes.
44 Então, também estes perguntarão: Senhor, quando
te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na
prisão, e não te servimos?
45 Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o
deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a
mim.
46 E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.
O plano para tirar a vida de Jesus
26
E havendo Jesus concluído todas estas palavras, disse aos seus discípulos:
2 Sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.
3 Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se
reuniram no pátio da casa do sumo sacerdote, o qual se chamava
Caifás;
4 e deliberaram como prender Jesus a traição, e o matar.
5 Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
Jesus ungido em Betânia
6 Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,
7 aproximou-se dele uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de
bálsamo precioso e lho derramou sobre a cabeça, estando
ele reclinado à mesa.
8 Quando os discípulos viram isso, indignaram-se, e disseram: Para que este desperdício?
9 Pois este bálsamo podia ser vendido por muito dinheiro, que se daria aos pobres.
10 Jesus, porém, percebendo isso, disse-lhes: Por que molestais
esta mulher? Pois praticou uma boa ação para comigo.
11 Porquanto os pobres sempre os tendes convosco; a mim, porém, nem sempre me tendes.
12 Ora, derramando ela este bálsamo sobre o meu corpo, fê-lo a fim de preparar-me para a minha sepultura.
13 Em verdade vos digo que onde quer que for pregado em todo o mundo
este evangelho, também o que ela fez será contado para
memória sua.
O pacto da traição
14 Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os principais sacerdotes,
15 e disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata.
16 E, desde então, buscava ele oportunidade para o entregar.
Os discípulos preparam a Páscoa
17 Ora, no primeiro dia dos pães asmos, vieram
os discípulos a Jesus, e perguntaram: Onde queres que
façamos os preparativos para comeres a páscoa?
18 Respondeu ele: Ide à cidade a um certo homem, e dizei-lhe: O
Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa
celebrarei a páscoa com os meus discípulos.
19 E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a páscoa.
O traidor é indicado
20 Ao anoitecer reclinou-se à mesa com os doze discípulos;
21 e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá.
22 E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?
23 Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.
24 Em verdade o Filho do Homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o
Filho do Homem é traido! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.
25 Também Judas, que o traía, perguntou: Porventura sou eu, Rabí? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.
A Ceia do Senhor
26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e,
abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo:
Tomai, comei; isto é o meu corpo.
27 E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;
28 pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.
29 Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da
videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de
meu Pai.
30 E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras.
Pedro é avisado
31 Então, Jesus lhes disse: Todos vós
esta noite vos escandalizareis de mim; pois está escrito:
Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.
32 Todavia, depois que eu ressurgir, irei adiante de vós para a Galileia.
33 Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei.
34 Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.
35 Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer
contigo, de modo algum te negarei. E o mesmo disseram todos os
discípulos.
Jesus no Getsêmani
36 Então, foi Jesus com eles a um lugar chamado
Getsêmani, e disse aos discípulos: Sentai-vos aqui,
enquanto eu vou ali orar.
37 E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
38 Então, lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39 E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou,
dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este
cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu
queres.
40 Voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Assim, nem uma hora pudestes vigiar comigo?
41 Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação; o espírito, na verdade, está
pronto, mas a carne é fraca.
42 Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo: Pai meu, se este
cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se
a tua vontade.
43 E, voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados.
44 Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
45 Então, voltou para os discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Eis que é chegada a hora, e o
Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
46 Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai.
Jesus é preso
47 E estando ele ainda a falar, eis que veio Judas, um
dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus,
vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo.
48 Ora, o que o traía lhes havia dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é; prendei-o.
49 E logo, aproximando-se de Jesus disse: Salve, Rabi. E o beijou.
50 Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Nisto,
aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus e o prenderam.
51 E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão,
puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma
orelha.
52 Então, Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar;
porque todos os que lançarem mão da espada, à
espada morrerão.
53 Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele
não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?
54 Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?
55 Disse Jesus à multidão naquela hora: Saístes
com espadas e varapaus para me prender, como a um salteador? Todos os
dias estava eu sentado [convosco] no templo ensinando, e não me
prendestes.
56 Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos
profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.
Jesus perante o Sinédrio
57 Aqueles que prenderam a Jesus levaram-no à
presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os
anciãos estavam reunidos.
58 E Pedro o seguia de longe até o pátio do sumo
sacerdote; e entrando, sentou-se entre os guardas, para ver o fim.
59 Ora, os principais sacerdotes e todo o sinédrio buscavam
falso testemunho contra Jesus, para poderem entregá-lo à
morte;
60 e não achavam, apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas. Mas por fim compareceram duas,
61 e disseram: Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.
62 Levantou-se, então, o sumo sacerdote e perguntou-lhe: Nada respondes? Que é que estes depõem contra ti?
63 Jesus, porém, guardava silêncio. E o sumo sacerdote
disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o
Cristo, o Filho do Deus.
64 Repondeu-lhe Jesus: É como disseste; contudo vos digo que vereis em
breve o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.
65 Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo:
Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que agora
acabais de ouvir a sua blasfêmia.
66 Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.
67 Então uns lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos;
68 e outros o esbofetearam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem foi que te bateu?
Pedro nega a Jesus
69 Ora, Pedro estava sentado fora, no pátio; e
aproximou-se dele uma criada, que disse: Tu também estavas com
Jesus, o galileu.
70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71 E saindo ele para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse
aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o nazareno.
72 E ele negou outra vez, e com juramento: Não conheço tal homem.
73 E daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a
Pedro: Certamente tu também és um deles pois a tua fala
te denuncia.
74 Então, começou ele a praguejar e a jurar, dizendo:
Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.
75 E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante,
três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.
Jesus entregue a Pilatos
27 Ora, chegada a manhã, todos os
principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho
contra Jesus, para o matarem;
2 e, atando-o, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.
O suicídio de Judas
3 Então, Judas, aquele que o traíra,
vendo que Jesus fora condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas
de prata aos anciãos, dizendo:
4 Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo.
5 E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se.
6 Os principais sacerdotes, pois, tomaram as moedas de prata, e
disseram: Não é lícito metê-las no cofre das
ofertas, porque é preço de sangue.
7 E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para servir de cemitério para os estrangeiros.
8 Por isso, tem sido chamado aquele campo, até o dia de hoje, Campo de Sangue.
9 Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:
Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, a
quem certos filhos de Israel avaliaram,
10 e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.
Jesus perante Pilatos
11 Jesus, pois, ficou em pé diante do
governador; e este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus?
Respondeu-lhe Jesus: É como dizes.
12 Mas ao ser acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
13 Perguntou-lhe, então, Pilatos: Não ouves quantas coisas testificam contra ti?
14 E Jesus não lhe respondeu a uma pergunta sequer; de modo que o governador muito se admirava.
15 Ora, por ocasião da festa costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.
16 Nesse tempo, tinham um preso notório, chamado Barrabás.
17 Portanto, estando o povo reunido, perguntou-lhe Pilatos: Qual
quereis que vos solte? Barrabás ou Jesus, chamado o Cristo?
18 Pois sabia que por inveja o haviam entregado.
19 E estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe:
Não te envolvas na questão desse justo, porque muito
sofri hoje em sonho por causa dele.
20 Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram as
multidões a que pedissem Barrabás e fizessem morrer Jesus.
21 O governador, pois, perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? E disseram: Barrabás.
22 Tornou-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, que se chama Cristo? Disseram todos: Seja crucificado.
23 Pilatos, porém, disse: Pois que mal fez ele? Mas eles clamavam ainda mais: Seja crucificado.
24 Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas, pelo contrário, que o
tumulto aumentava, mandando trazer água, lavou as mãos
diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste homem;
seja isso lá convosco.
25 E todo o povo respondeu: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.
26 Então, lhes soltou Barrabás; mas a Jesus mandou açoitar e o entregou para ser crucificado.
Jesus entregue aos soldados
27 Nisso, os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a corte.
28 E, despindo-o, vestiram-lhe um manto escarlate;
29 e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na
mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o
escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!
30 E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça.
31 Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, puseram-lhe as suas vestes e levaram-no para ser crucificado.
Simão leva a cruz do Senhor
32 Ao saírem, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.
A crucificação
33 Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer, lugar da Caveira,
34 deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber.
35 Então, depois de o crucificarem, repartiram as vestes dele,
lançando sortes [para que se cumprisse o que foi dito pelo
profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha
túnica deitaram sortes].
36 E, sentados, ali o guardavam.
37 Puseram-lhe por cima da cabeça a sua acusação escrita: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.
38 Então, foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.
39 E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça
40 e dizendo: Tu, que destróis o santuário e em
três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho
de Deus, desce da cruz.
41 De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:
42 A outros salvou; a si mesmo não pode salvar. Rei de Israel é ele; desça agora da cruz, e creremos nele;
43 confiou em Deus, livre-o ele agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.
44 O mesmo lhe lançaram em rosto também os salteadores que com ele foram crucificados.
A morte de Jesus
45 E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.
46 Cerca da hora nona, bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactani?
O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
47 Alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Ele chama por Elias.
48 E logo correu um deles, tomou uma esponja, ensopou-a em vinagre e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.
49 Os outros, porém, disseram: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.
50 De novo bradou Jesus com grande voz e entregou o espírito.
51 E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam,
52 os sepulcros se abriram e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados;
53 e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.
54 Ora, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o
terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram:
Verdadeiramente este era filho de Deus.
55 Também estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o ouvir;
56 entre as quais se achavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
O sepultamento de Jesus
57 Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também era discípulo de Jesus.
58 Esse foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lhe fosse entregue.
59 E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo, de linho,
60 e depositou-o no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha; e,
rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.
61 Mas achavam-se ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas defronte do sepulcro.
A guarda do sepulcro
62 No dia seguinte, isto é, o dia depois da
preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os
fariseus perante Pilatos,
63 e disseram: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, quando ainda vivo, afirmou: Depois de três dias ressurgirei.
64 Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança
até o terceiro dia; para não suceder que, vindo os
discípulos, o furtem e digam ao povo: Ressurgiu dos mortos; e
assim o último embuste será pior do que o primeiro.
65 Disse-lhes Pilatos: Tendes uma guarda; ide, tornai-o seguro, como entendeis.
66 Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra e deixando ali a guarda.
A ressurreição de Jesus.
Seu aparecimento às
mulheres
28 No fim do sábado, quando
já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra
Maria foram ver o sepulcro.
2 E eis que houvera um grande terremoto; pois um anjo do Senhor descera
do céu e, chegando-se, removera a pedra e estava sentado sobre
ela.
3 O seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes, brancas como a neve.
4 E de medo dele tremeram os guardas, e ficaram como mortos.
5 Mas o anjo disse às mulheres: Não temais vós; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado.
6 Não está aqui, porque ressurgiu, como ele disse. Vinde, vede o lugar onde jazia;
7 ide depressa e dizei aos seus discípulos que ressurgiu dos mortos; e eis que
vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. É como vos digo!
8 E, partindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos.
9 E eis que Jesus lhes veio ao encontro, dizendo: Salve. E elas,
aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram.
10 Então, lhes disse Jesus: Não temais; ide dizer a meus
irmãos que vão para a Galileia; ali me verão.
Os judeus subornam os guardas
11 Ora, enquanto elas iam, eis que alguns da guarda
foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo quanto
havia acontecido.
12 E congregados eles com os anciãos e tendo consultado entre si, deram muito dinheiro aos soldados,
13 e ordenaram-lhes que dissessem: Vieram de noite os seus discípulos e, estando nós dormindo, furtaram-no.
14 E, se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o persuadiremos, e vos livraremos de cuidado.
15 Eles, tendo recebido o dinheiro, fizeram como foram
instruídos. E essa história tem-se divulgado entre os
judeus até o dia de hoje.
Jesus aparece aos discípulos na Galileia
16 Partiram, pois, os onze discípulos para a Galileia, para o monte onde Jesus lhes designara.
17 Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
A Grande Comissão
18 E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.
19 Portanto, ide, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo;
20 ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e
eis que eu estou convosco todos os dias, até a
consumação dos séculos.
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